Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

A baixa escolaridade da população é quanto a mim preocupante, mas mais preocupante é ainda, quando ela atinje muitos dos nossos autarcas. Se uma pessoa de baixa escolaridade não tem acesso a determinados cargos/funções nas mais diversas áreas da sociedade e normalmente ganham pouco mais do ordenado minimo nacional, porque razão haverão alguns cidadãos via politica, exercer cargos de presidentes de câmara e vereadores ganhando entre 2.000 a 3.000 euros. Há aqui qualquer coisa que não faz muito sentido, ou pelo menos não é desejável, numa sociedade qualificada e competitiva que se pretende. E são estes senhores que dirigem os destinos de dezenas ou centenas de milhares de pessoas, de milhões de euros, que tomam decisões com implicações na vida da população. São eles que gerem recursos humanos especializados. Haverá moral nisto? É desejável? Faz sentido? Apenas porque são eleitos e escolhidos pelo povo! Mas não deveriamos exigir escolaridade obrigatória para os candidatos a cargos politicos, tal como se exige noutros sectores públicos e privados!? Na própria administração pública, ultra politizada e dirigida por politicos e cargos de confiança politica, são exigidos determinados estudos para determinadas funções. Porque razão a classe politica tem de ser excepção, até nesta matéria, vital para o desenvolvimento da sociedade. Para não falar em "protecções" especiais no que toca à justiça, entre muitos outros privilégios pouco democráticos. Este é o nosso Portugal, dos pequeninos, à medida dos muitos politicos que nos governam.



publicado por nossavoz às 00:04
Domingo, 31 de Maio de 2009

Confesso não ser apologista do facciosismo partidário e politico de muitos dos nossos protagonistas politicos. Aqueles que se deixam dominar pela cegueira e clubite partidária de forma irracional, não percebendo os méritos e deméritos próprios e dos seus adversários, não contribuem de forma saúdavel para a politica e democracia. Muito menos sou apologista de que o combate politico dentro das "4 linhas", se traduza em mau estar pessoal entre pessoas de partidos ou listas opositoras. Por vezes há pessoas que olham de revez, baixam a cabeça, não se cumprimentam e até se deixam de falar, demonstrando dificuldade em digerir opiniões diferentes e criticas. São formas de estar na politica e na vida, que não dignificam nada a actividade nobre de exercer politica. O discurso politico sustentado em acusações politico-partidárias sem substância nem fundamento, que muitas vezes não passam de lavagem de roupa suja. A ideia de que os politicos são todos iguais, mentirosos, desonestos, corruptos e que só servem os próprios interesses. A ideia de que o bom politico tem de ser mentiroso. E que os sérios, honestos e verdadeiros não chegam longe e acabam muitas vezes por desistir. Por estas e outras, os cidadãos vão-se desligando cada vez mais da politica e do seu direito e dever civico de votar. Tenho esperança, que surja uma nova era, impulsionada pela revelação "Obama", capaz de moralizar a politica, falando a verdade às pessoas, com humanismo e valores bem vincados no discurso e na acção. Só pessoas e politicos desta craveira poderão devolver credibilidade à politica e esperança ao povo.

 

 

Pedro Pereira, 31 de Maio



publicado por nossavoz às 23:10
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado,amordaçado,em sangue,exausto
e,mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.

De Armindo Rodrigues (1904 - 1993)

 

 

  

 

RESPONSABILIDADE

 

"Torna-se o homem consciente, quando compreende que a evolução intelecto-moral; sua, do próximo e do universo é sua grande responsabilidade."

 

 

 



publicado por nossavoz às 21:01
Domingo, 10 de Maio de 2009

Estes últimos quatro anos vão pôr fim a um ciclo de eternização, no poder local e regional, em diversos concelhos e regiões autónomas de Portugal. É inegável que estes homens, designados popularmente por “dinossauros políticos” irão deixar uma marca própria no poder local e no desenvolvimento dos respectivos concelhos e regiões. Eles conhecem como ninguém os corredores do poder local, criaram uma rede de ligações e interesses nos mais variados sectores de vida das populações. Estabeleceram relações muito fortes com colectividades, empresas, órgãos de comunicação social e demais instituições, que envolvem a vida colectiva de todos nós. Acompanharam o poder local desde a sua origem, aproveitaram os fundos comunitários e estatais para fazer obra. Travaram conhecimentos pessoais com pessoas dos vários sectores de actividade. “Deram” emprego a centenas de pessoas, famílias e apoiaram outras tantas. Tornaram-se poderosos e invencíveis eleitoralmente! Como dizia há tempos Miguel Sousa Tavares “só cometendo muitos disparates é que estes dinossauros perderiam as eleições”. Mas o ciclo está terminar, por força da limitação dos mandatos, imposta por lei, relativamente aos presidentes de câmara e do governo regional. Penso que a lei deveria se estender também aos deputados da república, até para moralizar o espírito da lei, dando os próprios autores o exemplo. Se é verdade que os visados por esta lei poderão invocar serem eleitos democraticamente pelo povo e por isso escolhidos sucessivamente, também é verdade que a renovação do sistema democrático só é possível com uma renovação de pessoas e mentalidades. A eternização no poder cria como os livros de papel e da vida dizem “vícios e abusos”, os quais estão enraizados e dificilmente são sanados pelos mesmos actores. A responsabilidade dos futuros sucessores é grande e a tarefa é bem mais difícil, não só pelos motivos que supra referi, mas também pela dificuldade que o nosso país terá ao nível da captação dos fundos comunitários, que permitiram aumentar o investimento público nas últimas décadas. Faço votos para que este fim de ciclo e inicio de uma nova era Pós Jurasic, não deixe de manter aquilo que de bom foi feito por estes homens até hoje, mas que todos consigamos dar mais vida à cidadania e politica, envolvendo uma maior participação das pessoas sem excepção, de todos os quadrantes políticos, com opiniões convergentes e divergentes, com abertura de espírito e sem medo do poder instituído, que ainda assombra muita gente e traz-nos à memória resquícios do passado. Assim teremos mais pessoas, maior participação, mais ideias e projectos, mais competição e alternativas. Termino, apelando para que esta nova era, de grandes dificuldades e desafios, não se traduza em mero assalto ao poder, mas sim, em alternativas responsáveis com vista ao desenvolvimento e qualidade de vida das populações.

 

 

 

Pedro Pereira, 10 de Maio



publicado por nossavoz às 14:00
Sexta-feira, 08 de Maio de 2009

A Nossa Voz

Vídeo: Jakeiras



publicado por nossavoz às 14:42

São inegáveis as melhorias no que toca aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. A liberdade de expressão existe hoje, é verdade, não há tortura fisica, mas ainda existe tortura psicológica, ainda que de forma menos violenta. Aquilo a que chamam "prateleiras", dando origem aos afastamentos, à extinção de funções ou cargos, mudanças de cargos e/ou funções e por vezes a despedimentos ou pedidos de demissão. Acontece em muitos organismos públicos e privados, quando muda a cor política, mudam a cor das cadeiras/cargos. Os que são da cor ou estão com o sistema, ficam nos melhores lugares, com mais regalias. Os outros, ficam nas prateleiras, nas condições que supra mencionei. Diz o povo, é o sistema! Contudo, ouvimos muitos responsáveis politicos de todos os quadrantes, sobretudo nas comemorações do 25 de Abril, apelarem à participação dos cidadãos na vida colectiva, à massa critica, quando na prática tudo fazem para silenciar, afastar, comprar ou castigar, aqueles que em virtude das suas convicções politicas ou das suas ideias e opiniões não compactuam com o "sistema". Dando sentido aos que lamentávelmente defendem o lema "quem não está comigo, está contra mim". Sempre foi assim antes e depois do 25 de Abril. Sempre foi assim antes e depois de Cristo, apesar do legado que Jesus nos deixou ao "morrer" crussificado na cruz, por ter sido um revolucionário que lutou contra o sistema, em prôle do bem da humanidade. Uma coisa é certa, Jesus morreu aparentemente sozinho, mas estava cheio de razão. Ainda hoje, olhando a crise económica e financeira que assistimos no mundo, mais não é que o resultado da ausência de valores, ética e moral dos muitos lideres de organismos públicos e privados. Aqueles que defenderam o lucro fácil ganho de forma desonesta ou corrupta e o capitalismo selvagem desrespeitador da dignidade humana, terão hoje de reflectir, corrigir erros e inverter as suas práticas, para que o mundo possa ter salvação. Se não começarmos por resolver a crise de valores, esqueçam porque todas as restantes (económica, financeira, justiça, politica, ambiental e social), só serão resolvidas com uma mudança de atitude e comportamento do ser humano. É por tudo isto que continuarei a exercer o meu direito e dever de cidadania, dando um pequeno contributo para sensibilizar e apelar a um mundo melhor, onde os valores da seriedade, honestidade, transparência e verdade, sejam estimados e valorizados.

 

 

Pedro Pereira, 8 de Maio

 

 

 

 



publicado por nossavoz às 00:14
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Um tema que me é particularmente caro, até porque exerci funções de colaborador regional de jornalismo, com a consciência tranquila de quem tudo fez para dignificar a função nobre de exercer jornalismo.
Acima de tudo o que defendi e tentei por em prática durante três anos foi buscar a verdade, dar voz a todas as pessoas envolvidas num determinado assunto, de forma imparcial, sem censura, sem ser pé de microfone ou caneta encomendada de quem quer que fosse.

 Contudo, salvo algumas honrosas excepções, assisto a alguma boa gente que não tem, não quer ou não pode ter, este espírito independente e imparcial de informar buscando a verdade dos factos. É o que sempre chamei e chamo de “canetas encomendadas e pés de microfone”, aos que se esquecem de ser jornalistas, pondo em causa a independência e imparcialidade das noticias e dos órgãos de comunicação social.
E o que é ser pé de microfone? Acontece quando aquele ou aquela jornalista, deixa que o entrevistado conduza a entrevista a seu belo prazer, muitas vezes parecendo um monólogo. É frequente ouvirmos os políticos e demais entrevistados nas rádios discursarem como se estivessem permanentemente em comícios políticos, sem que os jornalistas lhes façam qualquer tipo de pergunta oportuna ou até mesmo incómoda.
É um verdadeiro passeio dos alegres, onde os políticos e demais entrevistados dizem o que querem e lhes apetece.

E o que é uma caneta encomendada? Acontece quando aquele ou aquela jornalista, escreve aquilo que os políticos e demais entrevistados pretendem, passando a transcrever para os jornais aquilo que a pessoa teria escrito se não fosse entrevistada. Muitas vezes pergunto : serão jornalistas ou acessores de imprensa!? É desprestigiante para o jornalista e para a sua profissão.
Muitas vezes, isso deve-se à própria personalidade do jornalista, à falta de profissionalismo, à falta de conhecimento da missão do jornalismo ou à subserviência ao poder. Neste último caso, como sabemos, os órgãos de comunicação social vivem das receitas da publicidade dos privados, dos negócios muitas vezes dependentes do poder político e também das verbas concedidas pelas entidades governamentais e/ou autárquicas relativamente aos editais, spots e demais anúncios.
Daí que muitas vezes os jornalistas e órgãos de comunicação social, de forma mais ou menos consciente, sejam subservientes ao poder político e/ou económico, dando corpo aos pés de microfone e canetas encomendadas.
Para não falar dos jornalistas que estão na política e/ou tem negócios e ao mesmo tempo publicam artigos sobre matérias onde directa ou indirectamente estão envolvidos, pondo em causa a imparcialidade e equidistância que deveriam ter.
Termino apelando ao prestígio da tão nobre profissão “jornalista”, esperando que busquem aquilo que deve ser sagrado “ informar e divulgar a verdade dos factos” com imparcialidade, dando voz a todos quantos são sujeito ou objecto da notícia e não apenas a alguns, pelos factores que supra enumerei. Só assim estarão a ser respeitados e a prestar um serviço público e independente.


Pedro Pereira, 14 de Abril

 

 

 



publicado por nossavoz às 12:09
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